As doenças inflamatórias intestinais e a demora para o diagnóstico

As doenças inflamatórias intestinais (DII) possuem um espectro amplo de gravidade, desde sintomas quase inexistentes até quadros gravíssimos, com múltiplas complicações. São duas as mais importantes: a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

Não possuem causa clara e tampouco cura, entretanto o diagnóstico precoce e preciso ajuda num melhor controle de sintomas e na tentativa de prevenção  e detecção precoce de complicações, minimizando sequelas a longo prazo.

A pedra fundamental do diagnóstico, além dos sintomas clínicos, é a realização da colonoscopia com biopsia do intestino grosso que, invariavelmente mostrará diferentes graus de inflamação da parede intestinal. Entretanto, é muito comum esse diagnóstico ser atrasado, dado sintomas iniciais inespecíficos e exames com limitação técnica.

Hoje, cerca de 65 mil brasileiros recebem tratamento para Doença de Crohn pelo SUS, entretanto por não serem de notificação compulsoria aqui no Brasil e de espectro de gravidade variável é possível que sua incidência seja subestimada pelos órgãos controladores, principalmente os casos leves. Segundo a Associação Gastroenterológica Americana, 3 milhões de americanos vivem com DII.

No começo deste mês em Las Vegas, durante o Crohn’s & Colitis Congress foram apresentados alguns estudos que reforçam a necessidade da melhoria do diagnóstico para esses pacientes. Em um deles, foi demonstrado que o atraso no diagnóstico está associado ao aumento de risco de complicações. 68% dos pacientes avaliados pelo Hospital Mount Sinai de Toronto relataram atraso diagnóstico – com diagnóstico inicial errado ou incerto – superior a dois anos.

A boa notícia, também dada neste congresso, foi que o Instituto de Pesquisa Médica de Cambridge está pesquisando um novo biomarcador para prever o prognóstico do paciente e assim, obter uma terapia personalizada. Ao se estabelecer um biomarcador nos exames de sangue do paciente, é possível utilizar medicamentos ajustados exatamente para a forma como a doença irá se manifestar no doente, evitando o sub ou super-tratamento para Doença de Crohn.

Já na Universidade de Michigan, com o uso de inteligencia artifical, busca-se a classificação em gravidade dos casos de Colite Ulcerativa, o que hoje é feito de maneira artisanal, através da experiência do médico em interpretar imagens de colonoscopia, dados clínicos e exames laboratoriais .

Esse processo artesanal é custoso e depende de alto grau de experiência do médico, além de ter grande chance de imprecisão, transformando o método em pouco reprodutivel e, muitas vezes, equivocado em seus resultados.

As DII, por apresentarem essa característica única de gravidade variável, fazem parte do leque de enfermidades que se beneficiarão de inovações tecnológicas nas próximas décadas, tanto na obtenção de novos dados, como exemplo novos biomarcadores, quanto na melhor intrepretação de dados já disponíveis com a ampliação do uso da inteligência artificial .

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